A grande chance desperdiçada por Insensato Coração



Em um capítulo desta semana na novela das oito escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares chamou a atenção de todos: o brutal espancamento do personagem Gilvan, interpretado pelo ator Miguel Roncato.

Na trama do folhetim o personagem morto interpretava um gay, talvez o maior tabu das novelas nos últimos anos – quem não se lembra cenas cortadas em um episódio final da novela América (2005), de Glória Perez, quando o casal que tinha os atores Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro no papel de gays, teve um corte na cena do beijo no episódio final.

Passados alguns anos a atual novela das oito da TV Globo, certamente a que mais tem audiência no Brasil, novamente traz a tona a temática homossexual, inclusive criando uma espécie de um núcleo para eles. Quando os telespectadores pensam que a trama vai enfim despertar a sociedade para toda opressão das pessoas que são homossexuais, a cena mais lembrada de toda esta presença é justamente a que coloca um personagem espancado por um grupo de vândalos liderados por Vinícius, personagem de Thiago Martins.

Com um grande argumento em mãos a novela deslizou ao mostrar apenas a violência praticada por uma homofobia latente, deixando claro que o restante da convivência das pessoas homossexuais deve ser subtendido pelos telespectadores. Dessa forma a produção ficcional da TV Globo parece deixar tudo no nível do “mais do mesmo”, quando deveria mostrar realmente de fato outros lados da relação.

Ao colocar um núcleo com personagens gays a trama das oito tenta aproximar a realidade discriminatória de uma grande parcela da população contra os homossexuais, mas ao deixar apenas a questão da violência em pauta, parece fazer sua contribuição com a mesmice da discriminação que muitos gays sofrem pelos meios da nossa sociedade.

Mais uma vez a televisão tem a oportunidade de prestar um serviço, mesmo que de forma ficcional atingisse milhões de brasileiros, porém preferiu se omitir, pelo menos até o momento. Sinceramente, até o capítulo final, nada deve ocorrer neste sentido – infelizmente.



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