O uso de álcool e a morte de Amy Winehouse



A morte da cantora Amy Winehouse se tornou certamente um dos grandes destaques dos últimos tempos, suspendendo de certa forma a condição da morte de Michael Jackson, que ocorreu em junho de 2009 e somente parou no mês passado, quando no dia 23 de julho, foi constatada a morte da cantora britânica.

Passado um tempo de todo o burburinho em torno da morte da jovem a talentosa cantora, podemos relacionar que a mídia se aproveitou do fato de seu óbito para transformá-la em mártir em decorrência do uso das drogas. Longe de estabelecer alguma bandeira sobre isso, mas a condição de Amy diante das drogas era notável.
Amy Winehouse preto e branco
Certa vez um show em Curitiba, tive oportunidade de conversar com roadie, que comentou comigo ter trabalho no Rock In Rio Lisboa, naquela oportunidade ele presenciou a cantora precisar de ajuda para pisar no palco. Infelizmente em vez de se apresentar os trabalhos e a bela voz da cantora, parece que o terreno da crítica preferiu falar do relacionamento dela com a dependência química.

Isto foi um dos vieses, não bastando a própria Amy, buscaram em outros exemplos de artistas, que foram usuários de drogas e morreram com os mesmos 27 anos de Amy. Da forma como sempre foi colocado, parece que as coincidências separadas por décadas eram apenas “cópias” de antigas a tristes mortes no meio musical.

Ontem foi divulgado o resultado dos testes toxicológicos realizados em Amy, que para o espanto da mídia sensacionalista mundial, não apresentava a presença de drogas. O que foi encontrado no organismo foi o álcool, uma droga certamente, mas consumida de forma tranquila em todo o mundo, muitas vezes responsável por acidentes normalmente ligados com o uso de automóveis.

Dessa vez fica a pergunta, quantas Amy Winehouse os periódicos sensacionalistas precisarão encontrar mortas, para assim, poder dizer, foi culpa das drogas. Neste caso, não vale dizer que álcool é “droga”, se cada vez que uma propaganda de cerveja aparecia na televisão a gente sorria e o que dizer dos cartazes espalhados com propagandas de cervejas em lanchonetes e bares – talvez, o erro não esteja apenas no usos excessivos da cantora, mas na forma em que nos relacionamos com o álcool no dia a dia de nossa sociedade.



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