Lei da Inclusão Escolar difunde língua de sinais



Desde 2002, com a criação da Lei 7.081, mais conhecida como a Lei da Inclusão Escolar, as instituições públicas e particulares de ensino do país começaram a incluir em suas salas de aulas estudantes portadores de deficiências físicas ou mentais. Segundo a pedagoga Maria Joaquina Domingues, até então esses alunos estudavam apenas em centros especializados de acordo com suas necessidades e limitações. “Estamos num processo de construção no trabalho de inclusão”, afirma a pedagoga.

O Centro Pontagrossense(sic) de Reabilitação Auditiva e da Fala (CEPRAF) “Geny de Souza Ribas” visa à socialização nas classes onde haja alunos surdos-mudos, e tem por objetivo a interação entre todos os estudantes através do ensino de Libras, a língua dos sinais. Também oferece aulas de reforço escolar no contraturno do estudante com deficiência auditiva e atende a 116 pessoas, entre crianças e jovens. Alguns vêm direto das aulas matutinas e almoçam na instituição.

De acordo com a diretora do CEPRAF, Andréa da Silva, a pessoa surda era vista como um indivíduo a ser reabilitado, corrigido, treinado e posteriormente inserido à sociedade; as pessoas não entendem que a linguagem de Libras é própria. “O surdo tem dificuldade em aprender a língua portuguesa porque não é a língua dele”, ressalta a diretora.

Outra dificuldade que o CEPRAF encontra para desenvolver suas atividades nas escolas é o preconceito de alguns pais que, segundo a diretora Andréa, acreditam que alunos surdos possam atrasar o desenvolvimento da fala de seus filhos, uma vez que outra linguagem será ensinada. “Uma mãe me procurou desesperada, alegando que suas filhas só estavam se comunicando por sinais, não falavam mais”, fala Andréa.

Na Escola Estadual Catarina Miró, o estudante do terceiro ano do Primeiro Ciclo Lucas Paulista é surdo-mudo desde o nascimento, é um aluno assíduo e conta com o acompanhamento diário da tradutora Gislaine Xavier: “A alfabetização dele está bem no início; ele é mais velho do que os outros alunos, mas estão todos aprendendo juntos”.

Lucas veio transferido esse ano de um colégio que abriga apenas alunos com deficiência auditiva, e sua socialização com os demais colegas da classe e até de outras turmas ocorre de forma tranqüila, segundo a diretora Luciane Silva. “O Lucas é uma criança amável. As pessoas têm em mente o estereótipo de que todo surdo é agressivo, mas sabemos que isso não é verdade”, conta a diretora. A grade escolar de Lucas é composta por aulas matutinas na Catarina Miró e pela tarde o aluno faz suas tarefas e tira as dúvidas com as professoras do CEPRAF.

O CEPRAF realiza a cada 15 dias uma aula com duração de uma hora em todas as instituições de ensino que tenham alunos com deficiência auditiva, seja escola pública ou particular. A aula é direcionada para todos e tem como objetivo permitir a difusão da língua de sinais para que ocorra a comunicação entre os estudantes que possuam ou não a surdes. “Já sei falar meu nome com os dedos”, conta o aluno Leonardo Yenk, 9, da Escola Estadual Catarina Miró.

“As crianças percebem a dificuldade dos alunos portadores de deficiências e adotam, despertam o sentido de proteção”, observa a pedagoga Maria Domingues, que se matriculou no curso de Libras da Universidade Estadual de Ponta Grossa. “Preciso me especializar para atender melhor as novas demandas que podem surgir”, finaliza.



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