Casos reais-Bullying e suas marcas



Muitas escolas ainda têm dificuldades em caracterizar e controlar casos de bullying.Há cerca de dois anos a estudante Andressa* foi vítima de Bullying.

Devido às boas notas e destaque nos esportes, ganhou bolsa de estudos num colégio particular. Aluna nova, com habilidades específicas, não demorou a despertar a atenção dos meninos.

Enciumada, uma aluna da mesma sala de Andressa mobilizou um grupo de alunos e instigava perseguições, apelidos maldosos, fofocas, contra Andressa. “Ela tinha alto poder aquisitivo e usava sua posição para incitar os demais estudantes”, conta.

As cenas de discórdia aconteciam por motivos banais. A falta de marca famosa nos tênis, a mochila simples e até o material escolar provocavam o escárnio dos demais alunos. As intimidações constantes, os burburinhos pelos corredores e as agressões praticadas diariamente geraram um quadro de apatia em Andressa, decorrido de queda nas notas e péssimo resultado nos esportes. A direção do colégio pouco interveio no caso.

Colocou “panos quentes” na situação. Entretanto, pressionavam Andressa pelo baixo rendimento das notas, sendo ela bolsista. Andressa abandonou o colégio e perdeu o ano letivo.

A psicopedagoga Gislene Bida ressalta a necessidade das escolas atuarem na prevenção do Bullying. E não apenas em atividades curativas. Bida coordena um projeto em parceria com acadêmicos de psicologia e pedagogia no Colégio Sant’Ana. Esse projeto tem como finalidade a conscientização e a informação dos alunos sobre atitudes de risco, agressivas. “Tratar apenas a vítima não é o ponto certo do problema. O ponto central é em quem está agredindo. Por que essa pessoa passou a agredir?

Quem é o líder desse grupo que está agredindo? Porque o líder, muitas vezes, não é aquele que fala, que faz. É aquele que manda. Buscamos identificar o agressor e trabalhar o problema.”

Segundo Ferreira, no ano de 2008, houve um caso que poderia ser enquadrado como Bullying, no Colégio Estadual da cidade. Foi contra uma menina. O grupo de alunos envolvidos na confusão alegou que a estudante cheirava à fumaça, e isso incomodava.

Na casa da estudante existia um fogão à lenha, o que caracterizaria o odor em suas vestes. A estudante abandonou os estudos. O colégio buscou recolocá-la em outra instituição.

Mas a aluna não aceitou. Após o acontecido a direção pedagógica do colégio propiciou atividades pedagógicas de orientação em sala de aula, sobre os problemas que o Bullying pode trazer para vida social.

“Não existem soluções simples para combater o Bullying. Trata-se de um problema complexo e de múltiplas causas. Portanto, cada escola deve, em conjunto com a família e a comunidade desenvolver estratégias para combater o Bullying”, finaliza Bastos.

*Nome fictício para preservar a identidade da adolescente.



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